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Prólogo

A Internacional, nascida como L’Internationale, representa movimentos laborais socialistas e comunistas visando construção de sociedades democráticas e igualitárias há quase 150 anos. O poema de Eugène Pottier, no rescaldo da Comuna de Paris (1871), e a música de Pierre De Geyter (1888) são reinterpretados por todo o mundo, agregando vozes no canto em manifestações e protestos políticos. Refletindo, a propósito deste hino, sobre música, nacionalismo e a construção da nova Europa, Philip Bohlman nota, em 2011, que a motivação de união, simbolizada nele por ideais de “fraternidade” e “humanidade”, apelava à resolução da crise e ao nivelamento das diferenças que produziriam uma supernação mais internacional do que nacional. O poema foi inspirado pela Associação Internacional dos Trabalhadores, Primeira Internacional, fundada em 1864. Esta organização unitária, de tendências socialistas, anarquistas, e republicanas, visava a conquista e defesa de direitos da classe operária a nível internacional. Após a cisão entre as fações socialista e anarquista da Primeira Internacional, a canção tornou-se símbolo da Internacional Socialista, Segunda Internacional (1889). Foi depois hino da República Socialista da Rússia, após a revolução bolchevique (1917). Foi adotada como hino da Internacional Comunista, Terceira Internacional (1919). Esta organização, criada em ruptura com a tendência social-democrata e reformista da Segunda Internacional, desenvolveu-se em prol da defesa das revoluções de inspiração leninista em todo o mundo. Em 1922, após a guerra civil russa que reforçou a instauração do poder bolchevique, foi instituída como hino oficial da União Soviética até à sua substituição em 1944. Símbolo mobilizador de luta, resistência e consolidação de poderes em momentos fulcrais da história política e social dos últimos dois séculos, em 2016 inspira e nutre outras estratégias institucionais de relação humana em rede de relacionamento e documentação académica e estudo em numerosos locais, envolvendo arquivística, arte, patrimonialização, economia e, sobretudo, ação política intelectualmente empenhada.

Ricardo Andrade e Maria de São José Côrte-Real

Referência citada:

  • Philip V. Bohlman (2011). Music, Nationalism and the Making of New Europe (2ª ed.). Nova Iorque e Londres: Routledge, p. 18.


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